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Sáb, Mai

Cardozo admite que falou duas vezes com Maranhão sobre anular votação

Política
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Ministro negou pressão política e disse que apresentou razões jurídicas.
Junto com Flávio Dino, Cardozo falou sobre recurso à Corte Interamericana.

O ministro chefe da Advocacia-Geral da União (AGU), José Eduardo Cardozo, admitiu nesta segunda-feira (9) ter conversado duas vezes com o presidente em exercício da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA), para tentar convencê-lo a anular a votação Casa que aprovou a admissibilidade do impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Em entrevista, Cardozo disse que falou com o deputado na última sexta-feira (6) e se reuniu com ele na noite deste domingo (8), com a presença do governador do Maranhão, Flávio Dino (PC do B), contrário ao impeachment.

O ministro negou, porém, qualquer tipo de pressão política sobre o deputado e disse que se limitou a apresentar razões jurídicas. “Que tipo de pressão política eu poderia fazer em relação ao presidente da Câmara? Nenhuma. O que eu poderia dizer? A única coisa que posso fazer, é apresentar argumentos, é o que fiz”, afirmou Cardozo.

O ministro contou que conversou na sexta com Maranhão para pedir que analisasse pedido feito pela AGU após a votação da Câmara em que questionava supostos “vícios” ocorridos na sessão. Depois, se reuniu na sexta com o deputado, junto com Flávio Dino.

Na ocasião, o ministro narrou que falou com Dino sobre a intenção de outros parlamentares questionarem a votação junto à Corte Interamericana de Direitos Humanos, sediada na Costa Rica.

“Agi como qualquer advogado nessas circunstâncias […] Apenas fiz aquilo que advogados fazem, procuram juízes e apresentam suas razões […] Se não fosse republicano, não estaria dizendo que ocorreu”, afirmou. Cardozo disse que o encontro não foi inserido na agenda oficial por ter sido realizado no domingo.

A jornalistas, o ministro também negou enfaticamente que tenham sido oferecidos cargos a Maranhão para tomar a decisão, inclusive no Ministério da Educação.

“De jeito nenhum. Não houve isso em hipótese nenhuma. Discuti questões atinentes ao nossos recursos. Desconheço. Não houve, não se tocou sobre qualquer coisa dessa natureza”, afirmou Cardozo.

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