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Sex, Mai

Rombo de R$ 170,5 bi sinaliza seriedade, dizem analistas

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O governo federal enviará ao Congresso Nacional na próxima semana uma proposta para que as contas públicas tenham um déficit (despesas maiores do que receitas) de até R$ 170,5 bilhões em 2016. Se for confirmado, será o pior resultado da série histórica.

O número supera em muito o déficit proposto pela equipe econômica da presidente afastada Dilma Rousseff, que havia enviado projeto de lei ao Congresso pedindo autorização para que as contas tivessem em 2016 um déficit de até R$ 96,6 bilhões.

Veja abaixo a repercussão do anúncio feito pelos ministros da Fazenda, Henrique Meirelles, e do Planejamento, Romero Jucá.

Zeina Latif, economista-chefe da XP Investimentos
“O número não surpreende porque já estavam jogando os balões de ensaio, mas é muita coisa. É preciso saber o que está sendo incluído e o que se pretende fazer num segundo momento para aos poucos fechar esse rombo.

O importante agora é saber o que está dentro desse novo número, conhecer o detalhamento, abrir o que são despesas que eventualmente o governo prevê que pode ter que assumir – como de repente ter que fazer uma capitalização da Eletrobras – para se saber o que é o orçamentário puro, que não estão conseguindo fechar a conta, o que é por frustração de receita e o que é por conta de despesas novas, até mesmo para a sociedade saber da onde é que vem tanto rombo.”

Sidnei Moura Nehme, e Economista e diretor NGO
“Eu acho o valor de R$ 170 bilhões de uma expressividade enorme, não sei como vai ser para cobrir isso tudo num quadro como esse. Não tem de onde tirar, a economia não responde. O reflexo disso nas agências internacionais de risco vai ser terrível. É um número dantesco, que mostra que nosso problema fiscal é muito maior do que se estava imaginando, e isso assusta investidor, pois coloca em risco a liquidez do país.

E, enquanto os reflexos externos devem ser péssimos, por aqui nós temos muito com o que nos preocupar. O governo precisa de receita imediata para cobrir esse buraco. Ele pode cortar gastos, e necessariamente vai ter que cortar. Eles falaram em cortar 4 mil cargos comissionados, mas isso é muito pouco para esse déficit primário. Eu acredito que vão voltar a falar em CPMF. Seria a forma mais rápida de refazer o caixa, por mais desgastes que isso possa trazer.”

Judas Tadeu Grassi Mendes, PhD em Economia.
“O número de R$ 170 bilhões é seguramente realista. A coisa boa é o grau de seriedade, essa é a guinada. Mostra que o governo anterior era a mentira de todo ano que se iniciava apresentar a meta de superávit sabendo que ia ter déficit. A coisa agora parece bem mais realista. Demonstra que o governo anterior tinha realmente um descontrole total. Esse número de R$ 170 bilhões é ainda mais preocupante porque não está computando os juros. No ano passado, nós pagamos R$ 540 bilhões somente de juros. Neste ano, vai ser próximo a R$ 600 bilhões. Com a Selic alta como está, a dívida está aumentando por dia próximo a R$ 2 bilhões.”

Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating
“Considerando as declarações desde quando a atual equipe econômica assumiu, não poderia ser diferente. Ou seja, a meta fiscal com um rombo de R$ 170,5 bilhões. Nós já trabalhávamos com um rombo de R$ 120 bilhões. Agora vamos ajustar nossa projeção para essa realidade. O governo deu o segundo passo, que foi passar maior transparência sobre a situação fiscal do país. Agora é importante que essa nova proposta passe na Comissão Mista do Orçamento e no Congresso até dia 30.

Tendo como referência o que ocorreu na votação da admissibilidade do processo de impeachment na Câmara e no Senado, bem como a necessidade emergencial de tirar o Brasil dessa situação grave, creio que o governo consegue passar por esse primeiro grande teste da chamada governo de coalizão.

Porém, isso não é o suficiente. Também é necessário o governo, principalmente o Meirelles, apresentar as medidas efetivas que vão ditar o rumo do controle de gastos nesse ano e da geração de receitas. Pois são as medidas que vão dar sustentação ao apoio que o atual governo precisa para conseguir ter a governabilidade que o governo anterior não teve, bem como para poder implementar as demais medidas de estímulo econômico num segundo momento."

Eduardo Coutinho, coordenador do curso de administração do Ibmec/MG
“O número mostra o tamanho do problema. Mas o principal é recuperar a credibilidade da política fiscal de forma que se tenha uma percepção clara do tamanho do buraco e, acima de tudo, saber quais serão as medidas para corrigir isso. Todo mundo está com uma certa ansiedade em relação sobre quais serão as medidas e de forma elas serão implementadas. E o sentimento geral é que não cabe aumento de imposto, as pessoas não querem isso. Então, tem que partir para o corte de gastos.

Já se sabia que o déficit seria grande, algumas estimativas apontavam mais de R$ 200 bilhões, por isso acredito que o mais importante seja a sinalização da seriedade para recuperar a saúde das contas públicas."

 

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